Arthur acordou pela manhã e viu o sol refletindo na parede do outro lado do quarto.
Fechou os olhos novamente mas foi trazido de volta ao mundo dos despertos por um ruído alto gritando em seus ouvidos. Era o despertador.
Ele surrou o aparelho ainda meio grogue de sono e pensou em fechar os olhos por mais 5 minutos.
Agora levantou de um pulo. O relógio marcava 9 da manhã, o sol já estava alto e ele atrasado para o compromisso mais importante de sua vida.
Se vestiu aos trancos e barrancos enquanto escovava os dentes e desceu as escadas ainda arrumando a gravata.
Entrou no carro ainda esbaforido com um pãozinho na boca e a gravata por fazer.
Dirigiu quão rápido quanto se permitia e sua mente focada na entrevista deixou de registrar o incomum trânsito que ele trafegava.
A estrada estava deserta e os poucos carros na pista flutuavam com uma calma interiorana.
Parou no estacionamento e finalmente percebeu a estranheza desse dia. Várias vagas disponíveis e todos os carros estavam estacionados atravessados entre duas vagas.
Um som chamou sua atenção vindo de dentro da cerca que separava o estacionamento do gramado da empresa que visitaria.
Foi então que viu uma cena saindo de um filme de terror!
Um homem cambaleava para fugir de uma multidão maltrapilha e desfigurada que o subjugou no chão assim que o alcançou.
Diante da bizarra situação ele correu imediatamente para a guarida do prédio 50m à frente.
Sem fôlego, ele chegou ao guarda que o recebeu com a calma de um bahiano em feriado, ainda que levemente surpreso.
"Motivo da visita?"
"Tem um homem sendo atacado! No gramado! Dentro do pátio!" - disse Arthur desesperado.
O vigilante rapidamente acessou seu sistema de câmeras.
"Ah, tem mesmo. Eles fazem isso todo ano" - disse o guarda sem se alarmar.
Os olhos do rapaz se arregalaram com a complacência do outro homem.
"E você não vai fazer nada? Chama a polícia!"
"Pra uma festa de Halloween?" - disse o segurança enquanto se abria numa sorriso franco.
Levou um instante para controlar o riso e ele perguntou novamente.
"Tá fazendo o que aqui rapaz?"
"Tenho uma entrevista marcada" - disse Arthur ainda desconcertado.
"Num domingo?" - e o segurança rompeu novamente numa gargalhada agora totalmente descontrolada.
Arthur ainda podia ouvir a risada do segurança quando chegou ao seu carro.
Ele voltou no dia seguinte e foi recepcionado com um alegre time de seguranças.
E depois por um festivo grupo de entrevistadores.
E por fim, uma debochada equipe de novos colegas de trabalho.
Ao fim do dia, dirigiu seu carro para fora do estacionamento e nunca mais voltou.
"Emprego de merda" - pensou ele.
FIM
E nessa semana nos reunimos para falar desse jogo que nos transporta para este universo fantástico. Nos acompanhe em mais um episódio do Sem Gravidade Podcast - Pesado nas idéias e leve nas palavras.
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Um dos assuntos mais interessantes que tratamos neste programa foi justamente o primeiro. É hilário olhar para trás e perceber que começamos este podcast por acidente com o melhor tema que poderíamos pedir. A escolha foi por acaso, mas também instigada pelos tempos que vivemos. Não existe idéia mais atacada hoje pelos autoritários que a liberdade de pensamento.
Nossos antepassados trilharam um caminho árduo e pedregoso até chegar ao conceito que conhecemos hoje como liberdade de expressão. A história está recheada de idéias e figuras autoritárias, mas é pobre de exemplos quando o assunto é liberdade. E encontramos este comportamento singular tanto na realeza quanto na plebe. Quem lê Shakespeare percebe que em suas histórias a liberdade de falar o que pensa é tão cerceada pelas intrigas, maldades e sede de poder dentro do palácio quanto pelos déspotas que distorcem a autoridade em um exercício de ego sobre os mais fracos.
Somos os sortudos da história então, ...
É sempre melhor ser subestimado do que superestimado. Se o primeiro, as pessoas ficarão admiradas quando demonstrar seu valor; se o segundo, até sua genialidade não passará de obrigação
E o episódio ficou excelente também
https://anchor.fm/semgravidade/episodes/25---Meu-Marxista-Favorito-en9qn7
Quem sempre escutou música em fone fuleiro não faz idéia da diferença que faz. A cobertura do espectro de onda desses fones é tão pequeno que os instrumentos + altos e baixos desaparecem.
É isso msm, a maioria das pessoas escuta música pela metade e sem peso. Chimbau e baixo sempre desaparecem.
Agora eu fico pensando na frustração dos produtores que afinam cada detalhe de cada momento da música pra não ser escutado pela maioria das pessoas.
#PorFonesMelhores #CompreUmBomFone